Onde a tradução escolheu
νεκρός é o morto, a pessoa. θάνατος é a morte, aquilo que aconteceu com ela. Em português os dois caem no mesmo radical e ficam parecendo uma palavra só. Passar da morte para a vida (θάνατος) e ouvir a voz sendo um dos mortos (νεκρός) não são a mesma figura. Neste livro: θάνατος 9× (a primeira em 2 Coríntios 1:9); νεκρός 1× (a primeira em 2 Coríntios 1:9).
λόγος é a palavra como conteúdo, discurso, razão de uma coisa. ῥῆμα é a palavra como dito, aquilo que foi pronunciado numa hora determinada. As duas viram "palavra" em português. Quando o texto fala da Palavra que era no princípio é λόγος; quando fala de uma palavra que saiu da boca, quase sempre é ῥῆμα. Neste livro: λόγος 9× (a primeira em 2 Coríntios 1:18); ῥῆμα 2× (a primeira em 2 Coríntios 12:4).
ζωή é a vida como princípio, o fato de viver, e é a palavra da vida eterna. ψυχή é a vida de alguém, a que se pode perder, dar ou salvar, e é a mesma palavra que em outros lugares vira "alma". Quando a tradução escreve "vida" nos dois, o leitor não tem como saber que num lugar está lendo alma e no outro não. Neste livro: ζωή 6× (a primeira em 2 Coríntios 2:16); ψυχή 2× (a primeira em 2 Coríntios 1:23).
ἄνθρωπος é o ser humano, homem ou mulher. ἀνήρ é o homem em contraste com a mulher, e em muitos lugares significa marido. As duas viram "homem". Onde o texto fala do ser humano em geral e a tradução escreve "homem", quem lê hoje entende uma restrição que o grego não fez. Neste livro: ἄνθρωπος 8× (a primeira em 2 Coríntios 3:2); ἀνήρ 1× (a primeira em 2 Coríntios 11:2).
δοῦλος é o escravo, propriedade de alguém. διακονέω é servir à mesa, atender, e é a raiz de "diácono". δουλεύω é ser escravo de. παῖς é o menino ou o servo jovem. λατρεύω é o serviço prestado a Deus, o culto. σύνδουλος é o companheiro de escravidão. Todas caem em "servo" e "servir", e a distância entre escravo e garçom desaparece. Neste livro: διακονέω 3× (a primeira em 2 Coríntios 3:3); δοῦλος 1× (a primeira em 2 Coríntios 4:5).
ἀγαθός é bom no sentido moral, o que é bom em si. καλός é bom no sentido de belo, nobre, bem-feito, aquilo que se vê e se reconhece como bom. As duas viram "bom" e "boa". O bom pastor é καλός, o pastor exemplar; a boa obra que se faz costuma ser καλόν, a obra que os outros veem. Neste livro: ἀγαθός 2× (a primeira em 2 Coríntios 5:10); καλός 2× (a primeira em 2 Coríntios 8:21).
οἶδα é saber, ter a informação. γινώσκω é chegar a conhecer, e guarda a ideia de um conhecimento que se adquire e que envolve relação. O português passa dos dois para "saber" e "conhecer" sem regra fixa, e a diferença some. Onde o texto diz que alguém conheceu, vale olhar qual dos dois está embaixo: um é dado, o outro é encontro. Neste livro: οἶδα 16× (a primeira em 2 Coríntios 1:7); γινώσκω 8× (a primeira em 2 Coríntios 2:4).
γινώσκω é conhecer, ἐπιγινώσκω é conhecer plenamente, reconhecer. γνῶσις é conhecimento, ἐπίγνωσις é conhecimento pleno, e γνωρίζω é dar a conhecer. O prefixo ἐπι- não é enfeite: ele marca a diferença entre saber alguma coisa e conhecer até o fim. Em português as cinco viram conhecer e conhecimento, e o prefixo some. Neste livro: γινώσκω 8× (a primeira em 2 Coríntios 2:4); γνῶσις 6× (a primeira em 2 Coríntios 2:14); ἐπιγινώσκω 5× (a primeira em 2 Coríntios 1:13); γνωρίζω 1× (a primeira em 2 Coríntios 8:1).
εὐαγγελίζω é anunciar a boa notícia. ἀπαγγέλλω é levar e contar o que se viu. καταγγέλλω é proclamar publicamente, com força de declaração. ἀναγγέλλω é relatar de volta, dar notícia. Os quatro viram "anunciar". Só o primeiro carrega a palavra evangelho dentro dele. Neste livro: εὐαγγελίζω 2× (a primeira em 2 Coríntios 10:16); ἀναγγέλλω 1× (a primeira em 2 Coríntios 7:7).
ἀποστέλλω é enviar com missão e com autoridade, e é dela que vem "apóstolo". πέμπω é simplesmente mandar alguém ir. ἐξαποστέλλω é despachar para fora. As três viram "enviar" e "mandar". Onde o texto diz que o Pai enviou o Filho, saber qual verbo está ali muda o peso da frase. Neste livro: ἀποστέλλω 1× (a primeira em 2 Coríntios 12:17); πέμπω 1× (a primeira em 2 Coríntios 9:3).
δύναμαι é conseguir, ter força para fazer. ἐξουσία é direito, autorização recebida de outro. ἰσχύω é força física, vigor. κράτος é domínio, poder exercido. Em português tudo vira "poder". Quando o texto diz que alguém recebeu poder, a pergunta é qual: se é ἐξουσία, foi dado por alguém; se é δύναμις, é capacidade. Neste livro: δύναμαι 3× (a primeira em 2 Coríntios 1:4); ἐξουσία 2× (a primeira em 2 Coríntios 10:8).
διαθήκη é ao mesmo tempo o pacto entre duas partes e o testamento que alguém deixa ao morrer. Em Hebreus o autor joga com os dois sentidos de propósito: um testamento só vale depois da morte de quem o fez, e é esse o argumento. A tradução tem de escolher um dos dois a cada versículo, e o trocadilho, que é o coração da passagem, se perde. É desta palavra que vêm os nomes Antigo e Novo Testamento. Neste livro: "pacto" uma vez, em 2 Coríntios 3:14; "testamento" uma vez, em 2 Coríntios 3:6. Nos dois casos a palavra grega é διαθήκη.
διακονία é o serviço prestado, e é a raiz de "diácono". A tradução escreve ora "serviço", ora "ministério", ora "trabalho". "Ministério" carrega hoje um peso institucional que a palavra grega não tinha: διακονία era servir à mesa. Quando o texto fala do ministério da reconciliação, está falando de um serviço, e a diferença entre as duas leituras não é pequena. Neste livro: "ministério" em 5 versículos (o primeiro em 2 Coríntios 3:7); "trabalho" em 4 versículos (o primeiro em 2 Coríntios 6:3); "serviço" em 2 versículos (o primeiro em 2 Coríntios 8:4). Em todos eles a palavra grega é διακονία.
λαμβάνω cobre receber o que é dado e tomar o que se pega. A tradução escolhe um ou outro conforme a cena. A diferença importa em passagens sobre graça: receber é passivo, tomar é ativo, e o grego usa a mesma palavra nos dois, deixando a questão em aberto onde o português já resolveu. Neste livro: "tomei" em 2 versículos (o primeiro em 2 Coríntios 11:8); "receber" uma vez, em 2 Coríntios 11:8. Nos dois casos a palavra grega é λαμβάνω.
οὐδείς é a negação total: nenhum, nem um. Vira "ninguém" quando fala de gente e "nada" quando fala de coisa, o que em português é obrigatório. O que se perde é a repetição: quando o grego martela a mesma palavra num parágrafo, o português alterna e o efeito de insistência some. Neste livro: "ninguém" em 2 versículos (o primeiro em 2 Coríntios 5:16); "nada" uma vez, em 2 Coríntios 12:11. Nos dois casos a palavra grega é οὐδείς.
Nada disto é calculado enquanto você lê. Foi apurado uma vez e conferido. Um alerta falso destrói a confiança na ferramenta inteira, então o critério foi: na dúvida, descarta.
A comparação é com a Bíblia Livre. Em outra tradução as escolhas são outras.
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